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Notícia - Um jeito cinco-estrelas de morar


24.11.2008

Onde ficam as casas e os apartamentos mais valorizados da cidade, que podem custar até 24 000 reais por metro quadrado

Nesse mercado, o sigilo faz parte do negócio. Às vezes, é verdade, quando estão envolvidos nomes estelares, as informações acabam vazando. Foi o que aconteceu há duas semanas, assim que mudou de mãos uma cobertura dúplex de 1 000 metros quadrados, debruçada sobre o mar do Leblon, com uma mesa de sinuca no meio da sala - o comprador já decidiu que vai mantê-la. O imóvel de John Casablancas, fundador da agência de modelos Elite, foi vendido ao jogador Ronaldo Fenômeno por cerca de 15 milhões de reais. "Esse tipo de apartamento não sai em anúncio", diz Paulo César Ximenes, dono de uma imobiliária especializada em casas e apartamentos de alto padrão. "É uma venda artesanal." Há pouca oferta. Pode-se contar nos dedos das mãos o número de coberturas de tal patamar à venda nas avenidas Vieira Souto, em Ipanema, e Delfim Moreira, no Leblon. Ali, filé mignon do mercado imobiliário carioca, o metro quadrado vai de 9 000 a 24 000 reais. "A localização é o quesito mais importante", explica Marcus Cavalcanti, à frente de outra imobiliária voltada para o público classe AAA. Se, além disso, o prédio estiver entre aqueles considerados símbolos de status da cidade, melhor ainda. É o caso do Cap Ferrat, na orla da Ipanema, o mais cobiçado do Rio. Seus apartamentos de 600 metros quadrados são avaliados em 16 milhões de reais. "Sempre tem cliente interessado", completa Cavalcanti.

Emblemas de luxo e exclusividade, as casas que se espraiam pelo Jardim Pernambuco, um oásis de mansões plantado no fim do Leblon, também alcançam cifras colossais. Dependendo do tamanho, podem custar entre 6 milhões e 18 milhões de reais. "Demoram, no máximo, quatro meses para ser vendidas", atesta Lucy Dobbin, diretora da área de Zona Sul da imobiliária Julio Bogoricin. "Com a oferta limitada, o Rio é um mercado bom para os usados de luxo", acrescenta Luiz Cezar Macedo Soares, diretor da Dream Homes, imobiliária gerenciada pelas empresas Newmark, americana, e Knight Frank, inglesa. "Jamais se verá uma plaquinha de 'vende-se' em um de nossos imóveis. Trabalhamos com uma carteira de clientes que são avisados sobre o que há no mercado." Entre as jóias da imobiliária, destaca-se no momento um palacete de 2 350 metros quadrados na Joatinga. Preço: 8 milhões de dólares (pouco mais de 18 milhões de reais). "São considerados de luxo os imóveis que custam mais de 1 milhão de reais", explica Rogério Chor, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi). Nesse padrão, nos últimos quatro anos foram construídas 1 006 novas unidades. Para 2009, Paulo César Ximenes prepara o lançamento na orla da Zona Sul de um prédio com apartamentos de 840 metros quadrados e preços entre 22 milhões e 46 milhões de reais, valor da cobertura. O ponto, diz ele, ainda é segredo.

Com a escassez de áreas livres em Ipanema e no Leblon, os olhos se voltam para a Barra. "Há carência de apartamentos com mais de 1 000 metros quadrados", chama atenção Rogério Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ Cyrela, que junto com a Plarcon/InPar lançou no bairro o condomínio Riserva Uno. Os imóveis ali têm entre 280 e 555 metros quadrados e preços de até 6 milhões de reais. Para atender a tal carência, a construtora planeja lançar o Riserva Due, com unidades de 800 metros quadrados. A Barra também foi escolhida pela Gafisa, em parceria com a Alphaville Urbanismo, para abrigar um loteamento com a grife do condomínio que surgiu em São Paulo e se espalhou por outros estados. A versão carioca terá 660 000 metros quadrados e será lançada até o fim do ano. Luxo com muito espaço.



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