Notícia - Velocidade de vendas de construtoras acelera no 2tri10
30.07.2010
As vendas das construtoras e incorporadoras ganharam mais velocidade no segundo trimestre, com os consumidores aproveitando o forte embalo da economia e os incentivos previstos nos programas habitacionais do governo. Entre abril e junho, a média do índice de Vendas sobre Oferta (VSO) do setor acelerou 9 pontos porcentuais, para 35,4%. O resultado corresponde à média das nove companhias que já informaram prévia operacional do período: PDG Realty, Cyrela, MRV Engenharia, Rossi, Brookfield, Even, Rodobens, Direcional e Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI).
Dentro desse universo de empresas, a Direcional, que abriu capital no final do ano passado, registrou o crescimento mais expressivo em relação aos primeiros três meses do ano, com avanço de 32,2% para 58,1%. A PDG, por outro lado, apesar dos números bem acima da média, foi a única a apresentar leve desaceleração, com o ritmo de vendas recuando de 31% para 30%.
Normalmente, se observa uma recuperação no volume de lançamentos no segundo trimestre, o que deveria pressionar a VSO para baixo. Neste ano, entretanto, as vendas do período têm acompanhado a retomada dos lançamentos. Aliado a isso, o baixo nível dos estoques também tem contribuído para a maior velocidade de comercialização.
Além do cenário econômico favorável, com melhora da renda, mais emprego e crédito disponível, o 6º Feirão da Caixa Econômica Federal, realizado no período, está entre os fatores que ajudaram o setor a ganhar mais velocidade. O evento, que nesta edição foi realizado em 13 cidades do País e recebeu 576.194 pessoas, movimentou R$ 8,4 bilhões, montante 70% maior que o apurado na edição anterior.
No âmbito do programa "Minha Casa, Minha Vida" a instituição contabilizava no mês passado 542 mil contratações desde o seu lançamento, em abril de 2009, somando R$ 30,58 bilhões. Apenas no Estado de São Paulo já foram contratadas 109.651 unidades habitacionais no mesmo intervalo, totalizando R$ 7,17 bilhões.
Em vendas contratadas, PDG e Cyrela anunciaram desempenho semelhante entre abril e junho se consideradas na soma a parcela dos sócios, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,625 bilhão e R$ 1,539 bilhão, respectivamente. Se comparada apenas a parte das companhias, a primeira mostra vantagem ainda maior, com a comercialização de R$ 1,556 bilhão ante R$ 1,108 bilhão da concorrente.
Em lançamentos, a PDG também assume a liderança do setor ao consolidar no balanço os números da Agre (adquirida em maio), com salto de 144,5% em relação ao segundo trimestre de 2009, para R$ 1,804 bilhão, excluindo a parte dos sócios. O volume, além disso, garante à companhia o cumprimento de 41% da meta estimada para 2010. O montante também representa quase o dobro do apurado pela Cyrela, cujo VGV lançado ficou em R$ 794,1 milhões, atingindo apenas 24% do ponto médio do guidance para o ano, de R$ 7,3 bilhão. Em 2010, a companhia espera lançar entre R$ 6,9 bilhões e R$ 7,7 bilhões. Como o segundo semestre habitualmente é mais forte, a expectativa é de que as projeções serão alcançadas.
No período, Brookfield, MRV e Rossi comercializaram R$ 1,3 bilhão, R$ 981,9 milhões e R$ 905 milhões, respectivamente, enquanto os lançamentos das três empresas somaram R$ 805 milhões, R$ 1,113 bilhão e R$ 1,144 bilhão.
No acumulado do semestre a PDG, que aos poucos se consolida no posto de líder do setor, alcançou patamares que dificilmente serão superados pelas concorrentes. Entre janeiro e julho, as vendas contratadas da PDG somaram R$ 2,912 bilhões, enquanto os lançamentos atingiram R$ 2,855 bilhões.
Ao mesmo tempo, embora distante das projeções para o ano, a performance da Cyrela chegou a superar as estimativas de alguns analistas, com R$ 2,605 bilhões em unidades comercializadas e R$ 1,723 bilhão em VGV lançado. Um exemplo de seu forte potencial, a Living, unidade da companhia voltada para o segmento econômico, concentrou 39% dos lançamentos no semestre - atingindo a ponta superior do intervalo do guidance da Cyrela para 2010, de 35% a 40%.
Enquanto ganham ritmo e escala, um ponto que merece atenção especial das construtoras e incorporadoras no semestre que se inicia é a alta constante nos custos com mão de obra e do material de construção, o que poderia vir a pressionar as margens. No Estado de São Paulo, o Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil subiu 2,05% em junho ante maio, para R$ 899,99 por metro quadrado, de acordo com pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O acréscimo mais um vez foi influenciado pela alta no custo da mão de obra.
<< voltar

