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Notícia - Crédito imobiliário e venda varejista

O Estado de São Paulo
10.03.2010

O primeiro é o crédito, de grande importância para as vendas varejistas. Ora, a Serasa Experian informa quedas no número de consumidores que buscaram crédito neste ano: de 1,1% em janeiro, relativamente a dezembro, e de7% em fevereiro, ante o mês anterior. Todavia, relativamente a fevereiro de 2009, quando a atividade bancária estava em franco recuo, o crescimento é de 18,5%.

A queda da procura nos dois primeiros meses do ano se dá no quadro de estabilidade das taxas de juros pelo quinto mês consecutivo, para empréstimos pessoais, e pelo terceiro mês, no cheque especial.

Paralelamente, em fevereiro houve a maior queda (2,2%) da inadimplência dos consumidores para este mês, desde 2004. Em relação a janeiro deste ano, a queda da inadimplência foi de 2,1%. Nos anos anteriores costumava-se registrar, no início do ano, um aumento da inadimplência, em razão dos gastos excessivos que se realizavam durante as festas natalinas.

A redução do calote neste ano se pode explicar, em parte, pela melhoria dos rendimentos e pelo aumento, no final do ano, da capacidade de pagamento, com o recebimento do décimo terceiro salário.

No entanto, cabe levar em conta uma terceira notícia, fornecida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na sua Sondagem da Construção Civil, que mostra que o otimismo do setor continua elevado.

Estamos assistindo a um verdadeiro boom no setor imobiliário que tem, por contrapartida, um forte aumento do endividamento das famílias com compromissos de longo prazo. Ter uma casa própria é o sonho de todas as famílias, porém, quando ele se está materializando, a maior preocupação delas é respeitar seus compromissos financeiros, sabendo que a inadimplência, neste caso, pode acabar acarretando a perda do sonho.

Estamos considerando que o crédito imobiliário poderá ter o efeito de reduzir, num primeiro momento, as vendas no varejo, ou, pelo menos, trazer profunda modificação dos gastos das famílias, que num passado recente aproveitaram para adquirir mercadorias beneficiadas por isenções fiscais, mas que agora darão prioridade ao pagamento das prestações da casa própria recém-adquirida. Cabe à indústria levar em conta essas mudanças nas decisões de investimentos.



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