Notícia - Coelho da Fonseca faz parceria com Itaú para alta renda
09.03.2010
Um luxuoso apartamento de R$ 3,5 milhões foi vendido na semana passada em São Paulo. Apesar do valor elevado, seria uma transação corriqueira não fossem por dois motivos: o comprador financiou nada menos do que R$ 2 milhões - quantia de fazer arrepiar os cabelos de qualquer consultor de finanças pessoais - e, se não pagar o financiamento, além de perder o imóvel, a dívida tem de ser quitada por um avalista. Para conseguir um financiamento imobiliário desse porte o comprador precisou de um avalista, novidade dos financiamentos imobiliários para engordar o valor do financiamento.
Vender imóvel de luxo financiado é a grande aposta dos bancos e das imobiliárias. Depois da Lopes, que criou a CrediPronto - joint venture com o banco Itau - a imobiliária Coelho da Fonseca fechou parceria para ser correspondente bancário do Itaú Unibanco por um período de dez anos. E, juntos, começam a desenvolver novos produtos para a classe alta, foco de atuação da imobiliária.
A novidade dessa parceria é o uso do avalista no financiamento imobiliário - que já tem o bem como garantia do empréstimo - nos casos em que a renda não é suficiente para o empréstimo requerido. O modelo surgiu quando começaram a aparecer valores de financiamento extremamente elevados. "Não queríamos perder clientes dispostos a fazer financiamentos e estudamos junto com o banco a possibilidade de usarmos um fiador no financiamento imobiliário", diz Alvaro Coelho da Fonseca. Já foram feitas três vendas com a figura do avalista (em financiamentos acima de R$ 500 mil). Detalhe: todos são membros da família. A taxa cobrada é de 10,5% ao ano mais TR, em média, por um período de 10 anos - os financiamentos convencionais giram entre 25 e 30 anos. Nos imóveis novos, o banco chega a financiar até 80% do valor do imóvel.
"O financiamento imobiliário vai causar uma revolução na venda de imóveis de todos os padrões", defende o dono da imobiliária criada há 35 anos com o seu sobrenome. "Acabo de vender apartamentos para dois vice-presidente de bancos com crédito imobiliário; vai virar cultura aqui no Brasil", diz. As taxas cobradas aqui, no entanto, ainda são muito mais elevadas do que nos Estados Unidos, onde a taxa gira fica abaixo de 3% ao ano para imóveis de até US$ 200 mil e pode alcançar 6% ao ano para imóveis acima de US$ 500 mil. "Mas o financiamento imobiliário é o mais barato de todos no Brasil", defende Fonseca.
Pela parceria, o Itaú tem um gerente em cada unidade da Coelho da Fonseca para agilizar a concessão de crédito. O banco chegou a fazer uma capitalização na empresa por conta da parceria, mas não revelam o valor. A injeção de capital irá ajudar na expansão da imobiliária. Hoje, com 12 unidades, a Coelho pretende abrir outras quatro em São Paulo, além de uma nova operação em Campinas e Brasília. Também está perto de assinar uma joint venture com uma imobiliária do Rio.
Enquanto o mercado imobiliário volta as suas atenções e esforços para a baixa renda - as imobiliárias, a exemplo das incorporadoras têm criado braços para produtos populares - a imobiliária resolveu apostar no segmento de alto padrão e no mercado de imóveis usados, que não depende da oscilação das construtoras.
Criou em 2003 a bandeira Private Brokers para trabalhar com clientes e imóveis de alto padrão e hoje cerca de 50% da sua carteira de 28 mil imóveis são de imóveis de mais de R$ 1 milhão. A Coelho da Fonseca não abriu capital, como as concorrentes Lopes e BR Brokers - o que é positivo, por um lado, por não enfrentar a pressão do mercado. Por outro lado, porém, a companhia acaba não tendo a mesma transparência das imobiliárias de capital aberto.
A empresa não abre o faturamento, apenas o movimento em vendas. Em 2008, esse valor foi de R$ 1,5 bilhão e chegou a R$ 1, 8 bilhão no ano passado. Para 2010, a empresa projeta um crescimento ambicioso: 86% acima do movimento de vendas do ano passado, o que significa um movimento de R$ 3,4 bilhões. A alta, segundo Fonseca, deve-se à ampliação da rede e expectativa do aumento do número de lançamentos.
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